sábado, 12 de novembro de 2011

A escrita está cheia de atributos retóricos. Bem, não só a escrita. Também a minha fala está cheia de truques, e tão potente é escrever como se fala, e falar como se escreve. Ainda assim, a fala consegue irradiar uma explosão de emoções, que apesar de mais restrita que os sentidos da escrita, é claramente muito mais hiperbólica e brutal, capaz de com um tom diferente, rebentar com um castelo de expectativas e levar a um estado de estranheza monstruoso, capaz de transformar momentos antes e após uma frase, como realidades incompatíveis, apenas relacionáveis pela ponte feita pela frase que congrega as partes, mas que quebra a linearidade.
Costumo resistir a estes rios de sentido, tentando abrigar-me à beira do penhasco, mas nunca caindo no fundo do rio. Hoje, senti um prazer enorme no salto que dei para dentro do rio - despenhei-me na explosão vulcânica da irritação do duplo constrangimento. Ter duas forças monstras a penderem-me para lugares opostos e ter de agradar a todas começa a ser tarefa árdua, e a projecção na mais fraca torna-se por vezes, o caminho mais honesto, se bem que mais destrutivo, em vez de uma conservação magmática de emoções, que sinto só me prejudicarem visto o prazer da explosão, da queda no rio ter um sabor luxuriante, embora tendo consequências mais dolorosas, tanto para mim como para os demais, envolvendo depois, não só um cuidado cirúrgico comigo, mas uma certa reestruturação, daquilo que prazeirozamente foi deitado abaixo. O dilema passa por analisar quais as forças mais fortes, e como reagir às mesmas. Se resistindo sempre, ou se explodindo numa postura que apesar de bipolar, é a mais honesta, e mais destrutiva. Será que haverá sempre possibilidade de concertar? O desrespeito por mim será ou não um desrespeito pelo outro? Ou a explosão no outro não será uma forma de mostrar que as fronteiras existem e que há territórios sensíveis, de onde se expele uma lava brutal, de onde é impossível resistir à queda do rio?
Esta metáfora do rio e do vulcão é deliciosa. Por um lado, o rio refresca-nos, isto é, oferece-nos uma certa hipotermia, mas ao mesmo tempo, o calor explosivo dos vulcões tem um brilho esplendoroso por ser uma força temível, mas ao mesmo tempo tão sincera, que provoca medo, estranheza, capaz de tornar uma floresta maravilhosa em cinza. A existência entre picos explosivos e uma linearidade, é caminho, movimento. Vivemos ligados a passagens, a explosões que nos fazem entrar na riqueza hídrica de um rio, que debaixo de água nada noz diz sobre a imensidão da nova margem, por muito doloroso que possa ser não só andar debaixo de água, como subir as primeiras pedras do penhasco na margem desconhecida. Ficar preso ao medo por vezes é uma opção óptima. Evita-se o risco, as respostas são certas, mas do outro lado do rio, depois da explosão, certamente encontraremos novas fontes de sentido para uma vida que se pretende um constante abordar de pontos de vista, de modo a alcançar-se uma qualidade de vida, que para lá de uma produção de atributos de bem-estar externos ao corpo, é não mais que a tentativa-erro, no arriscar de vida, procurando ser o mais verosímil que possa, e compreendendo as limitações da convivência com palavra, que, limitadamente, tenta traduzir aquilo que são estados explosivos, anteriores à cratera vulcânica, que se encontram nas profundezas no rio da vida; no inconsciente que brota a cada vez que os medos do medo se ausentam.

domingo, 23 de outubro de 2011

Perspectiva e o fim da Teologia

Mostrar indignação é uma delicia. Adoro refilar, criticar! É de um prazer visceral sobrevalorizar o meu ponto de vista e tiranizar-me a uma só maneira de ver, centrando-me no meu narcisismo, universalizando o meu eu, numa unidade absoluta e incorruptível de verdade!Há dias em que me sinto Deus, creio tanto em mim, que tenho a sensação de que a minha maneira de ver é divina, e seria impensável pensar sequer noutra óptica! Que boas são as minhas lentes, como gosto da aquisição que fiz no Grande Oftalmologista.
Ainda me pergunto se por agora mudarei só as astes, ou se, quem sabe, não mudarei de lentes para de novo reformular a minha visão do mundo! A mudança de lentes é terrivel, é um questionamento enorme pensar em rever o mundo de outra forma, e a minha óptica teológica, passará a ser um politeísmo, alcançável com um exercicio hermeneutico apenas mudando a postura, angulando mais para cima, mais para baixo.

sábado, 4 de junho de 2011

Há um ciclo de problemas! Este blogue é um caixote de incertezas. Nada como me refugiar na escrita para expressar aquilo que não consigo entender. Será que a escrita que me transmite algo que em pensamento não consigo entender?! Esta dúvida é caduca. Mas é delimitada por uma constatação de que ela deixa de ser hipótese, e passa a ganhar uma certa consistência - a Escrita tem propriedades próprias. A escrita é um registo interessante. Ainda que limitada por filtrar muito daquilo que é a emoção, e que é impossível de passar com os dedos, ela constitui-se como marco, que pode ser visto e revisto. Ainda que não tenha a capacidade de ser expressão total do sentido do escrevente, ela autonomiza-se do próprio pensamento, garantindo-se assim, sendo memória constituída e sentido de texto, que se vê alienado do próprio escritor.
Afinal, a escrita usa-me. Ela apodera-se do pensamento objectivado e a partir dele, faz o que bem entende. Já não sirvo para nada. Aquilo que acontece é que chego a surpreender-me com o que escrevo, e passado algum um tempo, o meu Eu é confrontado com o Eu da escrita. Por vezes o confronto é de tal modo arrebatador que o leitor ao ler-se entra num movimento de perplexidade e de inconsistência absoluta por duelo com o escrito. E quem sou eu afinal?! O escrito ou o meu Eu subjectivo, não objectivado pela escrita.
A noção de consistência absoluta do ser põe-se em causa. O Eu é atravessado todos os dias. Como pode permanecer igual?! Serei eu uma amostra de texto, ou antes o texto que me pode mostrar? Podia ser se eu chegasse ao fim e a mim dimensão teleológica estivesse obtida com uma noção de sentido ultimo fundamentada com o final da minha vida. "Combati um bom combate, terminei a minha carreira" seria a suma da produção textual, e poder-se-ia perguntar qual a utilidade de escrever antes, se o depois pode confirmar o diferente. As nossas bibliotecas de sentido certamente ficariam vazias se nos cingíssemos a uma noção de final e finalidade tentando propor como teleologia final, o fim da vida, onde um trabalho de auto-reflexão seria condição suficiente para a compreensão da totalidade da existência.
Continuo com uma ausência de resposta. Parece-me que a teleologia é importante enquanto construtora de luzes no final de túneis tumultuosos, mas falta construir esses túneis que são nada mais que estruturas rochosas que ao longo da nossa vida vão sendo moldadas com vista a essa noção final. Ainda assim, ficamos na duvida. Qual será a importância de constituir um final, quando tudo o que fizemos nada correspondeu a esse idealismo. E não haverão pessoas que são suficientemente consistentes na inconsistência e cuja vida não é mais que uma total mudança de direcção que as coloca numa direcção desnorteada, mas que não deixa de ser uma certa noção radical de caminho. Afinal, esta desarticulação narrativa, sem finalidade,poderia ser considerada numa visão radical de ódio aos indecisos ou aqueles que nunca sabem para onde vão, e se sequer é essa a sua vontade.
Que poderemos afirmar? O escrito é testamento teleológico e é um serviço diário! Ou é antes uma homilia bonita no final da vida, onde a santa unção redime o que se fez, e o que se não fez, e onde se procura mais uma vez a redenção como forma de encontrar um novo espaço?! A construção da vida é exercício diário?!Pelo sim pelo não escrevamos.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Registos à Chamada - Mafra


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A escrita é maravilhosa
Não há maior exoterismo
Sinto que sou reles
Aqui posso dizê-lo
Não te consigo escrever o que sinto,
mas as minhas mão emanam energia.
Uma energia estranha,
um pseudo-ódio
Nada mais que monstro és!
Por ti, eu fico sempre na monstrice,
Eu sou tão reles
Nunca sei escolher.
Quanto mais fácil, melhor.

Onde está?

Onde?!
Onde está a cor?
Onde está a luz?
A imundice apodrece-me!
Sou mesmo podre...

Gosto da luz, mas não a vejo!
Está escondida numa série de construções que criei!
Não a consigo encontrar,
o esforço é tremendo...

Tenho reduzidas forças,
quero luz, mas não quero sair da escuridão.
Quero ser feliz, mas a frustração,
ainda que incómoda, provoca em mim um repouso no lixo,
tão agradável por ser facilmente atingível, mas tão destrutiva!

Quero fugir, mas não consigo!
Quero beber água.
Quero purificar-me!
Estou perdido numa confusão de monstros.

Oh monstros, quanto vos adoro
Que riqueza
Adoro esta anestesia.

Onde está o antibiótico?!
Tantos analgésicos.
Estou podre
Pareço uma cápsula de Benuron.
Sou um vivo morto,
Um morto vivo.

Sou tão reles, sou tão sensacionalista, sou tão dormente, sou...

Sou assim, estou preso!
Não quero, não quero mesmo ser desamarrado!
Quero fugir, mas quero ficar.
Eu sei, vou ter muitas saudades.
Sou ou Estou por estar?!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Admiração

Aqui, ali, lá tu estás!
Todos os dias passeio-me pela vida e desde o dia em que passeamos juntos, não mais consegui esquecer-te e tentar atenuar a vontade de contigo passear todos os dias da minha vida! O teu sorriso, o teu olhar, o teu brilho são artefactos que tens e que me cativam a querer passear pela vida junto a ti, a querer escutar, a querer que me ouças. Que sensação sentir que somos mutuamente interessados um no outro. Que estamos em sintonia e que nas alturas mais e menos boas estaremos lá um para o outro!
Será um platonismo? Uma utopia? Espero que sejas o primeiro e o último. Que me faças soltar gritos, que me faças chorar, que me faças ser contido, que sejas um amparo!
Preciso de ti e sei que sou parte de ti!
Somos um!

domingo, 11 de outubro de 2009

Sinfonia

Todos os dias componho uma nova sinfonia! A minha vida inspira-me a ter sempre algo a dizer, a fazer, a procurar. Sou no fundo um ser vivente que entre andamentos, vivências e instrumentos me vou deixando desenvolver! Sou único pela exclusividade da minha sinfonia, pelo estilo próprio, mas sempre, um ser em transformação e não completo.
Em cada manhã, quando me levanto, sinto o peso da responsabilidade de criar mais uma sinfonia, – “Meu Deus, já escrevi milhares” – de preferência mais bela e interessante que a anterior, visto parecer unânime que uma vida monótona não se torna muito aliciante. É notório que há pessoas que estão cansadas de viver, de viver num transtorno constante. Eu, sinto sempre esse peso – “Não quero ser mais um, quero ser UM!”
Quem sou eu afinal? Um misto de influência genética, mas sobretudo de carga social e de influência de um meio, castrador e libertador.
Pergunto frequentemente de onde me veio uma certa predisposição para a música. E porquê a música lírica ou de orquestra? E porque não a música popular? Quem sou então, o que me faz gostar mais disto ou daquilo? Um mero acaso?
Tanta interrogação retórica para tentar compor uma sinfonia, uma sinfonia que é manifestação divina, arte plena, mas cujo compositor não consegue entender! O compositor é assim mera mensagem entre o divino e o mundo! É um inter-comunicador! Um trabalhador explorado, mas ironicamente feliz! Sente prazer sem saber porquê e compõe dia após dia uma vida que ele não compreende! Serei eu um compositor assim? Consciente das limitações da existência e crente em algo indigno de credo! Será? O divino dá-nos uma capacidade fantástica de questionar, mas parece não nos querer responder! Semeia as questões, a capacidade de duvidar, mas não se digna a dar respostas.
A minha colecção de sinfonias está incompleta! Muitas hão-de vir, umas ao género poema sinfónico, outras mais abstractas! Sem dúvida, uma colecção única!

sábado, 6 de junho de 2009

Será querer igual a poder?

A probabilidade de acertar do impossível, foi hoje alcançada, com um simples gesto, teclar, derivado de uma vontade extraordinária, de relacionar o interseccionar e o querer com o poder!
Queria aquilo, e contra todas as probabilidades, fui multiplicando, probabilidade a probabilidade, uma escolha aleatória de um computador, que se revela o furtivo desespero e a concretização da minha vontade.

(Blimunda apoiou-me...!)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Um Planeta de Necessidades. Um Homem de Desejos. Quem Ordena?


Todos os dias, milhões de pessoas acordam na civilização ocidental, no suposto mundo da riqueza, da fartura, da felicidade. Um mundo que parece não ter problemas. Mas afinal, que problemas nos afectam directamente? Tantos e tantos problemas nos afectam, hoje, directa ou indirectamente. É impossível negá-los. A nossa condição de humanos, e como tal de dependentes, confere-nos uma extraordinária capacidade de reclamar, não querendo dizer que não tenhamos razão em imensos pedidos que bradamos – afinal, se não nos queixarmos de fome e não comermos, ou tivermos sede e não bebermos, poderemos estar a pôr em risco a nossa saúde e morrermos.
A reflexão sobre aquilo que pode ser considerado ou não problema, vai na ordem daquilo que pensamos ser o necessário e a mistura com os desejos e necessidades de terceira, ou até segunda ordem. Que necessito eu? Que desejo? Haverá intersecção entre os termos referidos?
Certo é, no campo da alimentação, que se não comemos, morremos! Mas penso sempre: que necessito ou desejo eu? Necessito de comer, mas aquilo que desejo, sinceramente, é suponhamos, uma feijoada de marisco. É legitimo desejar, talvez não seja tão legítimo e ético, fazer de todos os meus desejos concretizações possíveis. Já diziam os nossos avós: “Vocês agora estão muito mal habituados! Têm tudo o que querem!”. Em parte, pode-se concordar, mas por outro lado, não ambiciono os antigos tempos de trabalho de sol a sol, pois não era de igual modo ético, e entrava no domínio da escravatura.
Sem dúvida, que hoje a situação é mesmo inversa. Para se ter alguma coisa não há esforço, tudo parece pré-existir! As empresas ganham tanto mais, quanto adivinharem o que o cliente deseja, antes mesmo de ele poder verbalizar o que poderia pretender.
A palavra esforço parece estar em desuso, ou melhor, para uns não se esforçarem, outros certamente estão literalmente a esfolar-se, para que nós tenhamos a mesa farta, sem conseguirmos realmente supor que esses “alguéns”, que nós nem queremos considerar escravos, existem!
Supor esses “alguéns”, não é uma referência exclusiva aos humanos dos supostos mundos inexistentes, ou já erradicados. É também uma referência ao planeta, que “coitado”, vai tentando satisfazer as necessidades dos súbditos. Dos tais, da espécie pensante, que pensam não em preservar esse velhote, redondo e gigante; mas antes em massacrá-lo até ao tutano. Digamos que ele, vai tentando satisfazer tudo, mas os problemas de coluna vão pesando com tão pesado fardo, e tudo isso deixa sequelas – hérnias discais não lhe faltam. Essas concretizam-se em alterações climáticas que só afectam os supostos súbditos, e esses sim, cada vez mais, vão-se assustando com as hérnias do planeta. Afinal, esses, é que estão em risco. Quando a hérnia se tornar insuportável, os súbditos serão sacudidos do velho planeta e então, poderá ser o fim. A nosso ver, seria interessante tentar atenuar o peso da carga do velhote mundo, para que ele vá tentando aguentar pelo menos mais umas gerações.
Pior mesmo, é não serem só hérnias! São tantos e tantos problemas, que até parece incrível pensar em numerá-los em apenas quatro páginas.
Pensando realmente em como tentar atenuar os problemas desse velho planeta, proporíamos visões metamorfoseadas, recorrendo a dois tipos de novas visões utópicas, mas talvez alcançáveis, caso haja o tal esforço de pensamento, de tentar mudar, de fazer diferente, de ser coerente e ético, de melhorar esse velho, que de tanta ajuda precisa, não esquecendo que nós, apesar de o querermos omitir, dependemos das suas insondáveis capacidades.
Recorrendo então às ideologias de Kafka, sobre como um dia acordarmos despertos em diferentes situações, proporíamos dois despertares:
1. O dia em que as mentes mudam, e tudo se debruça no pensamento ético para com o planeta Terra.
2. O dia em que as energias renováveis se tornam dominantes.
Despertar 1
“A euforia está instalada! Hoje, todos os humanos, incluindo-me, acordaram com uma dor de cabeça forte, sem causa aparente, mas que parece ter aberto uma fenda nas mentes. Uma fenda na consciência! Então não é, que hoje o movimento às gasolineiras desceu brutalmente e viram-se milhares de pessoas a fazerem os seus movimentos pendulares, com novos meios de transporte, até então utilizadas para contextos mais restritos como a bicicleta. É mesmo interessante ouvir o noticiário e reparar que tudo está diferente: as estradas menos congestionadas, o ar mais respirável, mas subsiste um problema. Os meios de transporte públicos continuam a não conseguir comportar dias como este, e essas são algumas das reclamações feitas, pelos utilizadores.
Há quem diga, que se esta situação de mudança substancial das mentes poderá traduzir-se numa revolução, visto que tanto e tanto, necessita ainda de ser melhorado, e o que até então existia para melhorar o ambiente, ainda está muito prematuro. Existem novos candidatos, tudo parece diferente! É uma loucura que ninguém consegue prever.
A juntar a tudo isto, conseguimos ainda constatar que as buscas na Internet acerca deste tema, fizeram bloquear imensos sites da especialidade. Também o comércio especializado, sentiu hoje um forte aumento de vendas, e imensos produtos esgotaram-se em poucas horas. Diversos comerciantes confessaram que hoje foi talvez o dia com mais movimento, na história das suas empresas.
Interessante ainda, foi ver que as pessoas hoje discutiam os problemas da saúde do planeta na rua! As pessoas exaltavam-se, trocavam opiniões acesas. Nunca antes se tinha visto tal coisa!
É realmente primordial, que estas coisas se falem e que os governos e entidades superiores tomem este tema, como insubstituível para a continuação não das economias, mas da própria espécie, que vai cada vez mais sendo ameaçada, pois “colhe, aquilo que planta”! É também importante que os particulares sejam também activos, na medida em que o sucesso das medidas governamentais, depende das famílias, que são um dos agentes económicos mais importantes.
A análise final será feita a longo prazo e dependerá muito das pessoas. Se continuarem passivas em relação aos problemas que pensam não as afectarem, poderão ser mesmo as mais afectadas!”

Despertar 2
“Passeando vou eu pela rua e algo está diferente! Os carros já não deitam aquele fumo horrível cujo cheiro e cor me incomodavam. Vou na calçada da minha cidade e deparo-me com um cheiro agradável no ar, sinto a harmonia da natureza, respiro livremente. Tão estranha que está a minha cidade de há uns tempos para cá. Constato, realmente, que o poder tem feito algo para melhorar a situação do nosso planeta, que apesar de problemática, parece indo aos poucos normalizando-se.
Continuo a minha viagem no meu novo automóvel completamente eléctrico, e por montes e vales vou passando. Tantos aerogeradores, tantos parques eólicos. Ainda no outro dia fui também à praia e deparei-me com um sistema de produção de energia de ondas e até, com uma central de dessalinização de água.
Coisas que realmente mudaram, parecem traduzir-se agora em melhorias significativas na vida das pessoas. Os problemas de saúde pública causados por poluição estão a erradicar-se. O preço dos combustíveis fósseis têm descido consideravelmente, e o Estado tem a ajudado as empresas da área, a recomporem-se com novos produtos, menos poluentes e mesmo assim de utilidade.
Agora sim, olho em meu redor e me apercebo como afinal tudo está diferente. É estranha esta harmonia com a natureza, a forma como utilizamos os avanços tecnológicos, mas também a nossa criatividade, para que todas as inovações se enquadrem na paisagem. O esforço é realmente extraordinário. É brilhante termos equipamentos de produção de energia, que estão em comunhão com o meio em que se inserem.
Só agora, quando olhamos para trás, vemos que necessário foi, que muita coisa acontecesse. Para se mudar!
Tantos e tantos conflitos causados por desigualdades na distribuição da energia foram também motores para uma consciencialização da mudança. O monopólio energético conduziu realmente ao extremo e hoje, as coisas mudaram. A concorrência existe! Hoje, a busca de fontes e energias amigas do ambiente com concorrência leal, é uma realidade.”
______________
Conclusão:
A nossa tomada de decisão acerca de como resolver qualquer problema deve ser consciente e convicta. Quanto mais gente envolve uma decisão por nós tomada, é bom que tenhamos consciência do nosso acto. É importante, que se tenha em atenção ainda que, muitas vezes, não são apenas pessoas a serem afectadas. Também o nosso meio é afectado pelas nossas acções, e o que fazemos ao meio, afectar-nos-á também, quer queiramos, quer não.
Ser-se humano é então ter discernimento e pensar. Tentar fazer diferente é sempre uma capacidade que qualquer humano tem, no seu perfeito juízo. A sugestão que propomos, é tentar pôr em prática as metamorfoses acima referidas, tendo em conta que tomando o cenário primeiramente mencionado, poderemos a médio prazo, alcançar o segundo, pois uma abertura da consciência, tenderá para actos concretos, não esquecendo a necessidade de apoios e dinâmica dos poderes centrais.
Travar os problemas ambientais é algo apenas concretizável, com a adopção de novas ideologias, começando por cada um de nós, valorizando, por exemplo, mais este meio de transporte que aquele, equacionando as vantagens de um ou de outro. É de referir, que ser-se humano é ser-se ético e ter na mente a ideia de que outras gerações virão, e merecem gozar-se daquilo que nós conseguimos gozar, e não, levarem com os restos da nossa vida desregrada e inconsciente. Ser-se livre é utilizar a liberdade em consciência e não, apoderar-se da mesma para fazer tudo o que se quer. Ser-se livre é ter consciência de que o planeta precisa de ajuda, e que, por enquanto, ainda vamos tendo os braços disponíveis para o melhorar.

Cheiro

O teu cheiro vai-se,
A tua alma vai-se,
A minha cruel racionalidade emocional regressa,
e a sensação de perda por não sentir a intensidade do teu perfume,
vai-se,
desvanecendo,
como um perfume se vai,
numa noite de amor,
em que uma fragrância vai perdendo
força,
beleza,
mas deixando um rasto subtil e interessante de memórias,
não reprimidas,
mas antes vividas!

É assim a vivência espiritual de algo tão carnal e sensorial,
mas tão digno de recordação no mundo platónico das ideias!

Recordações povoam assim,
a minha mente que como delicado cheiro de um perfume,
se vai recordando,
também delicadamente,
da elegância e extraordinariedade
subtil do teu
Odor!

domingo, 19 de abril de 2009

A Torre



Abro a janela,
e o cheiro intenso do fumo,
provoca-me náuseas.

A minha visão estava pouco nítida,
os metais até então coerentemente colocados,
estavam agora todos torcidos!

Tentando buscar a nitidez,
como impensável me deparo.

Não só aquela torre,
mas toda uma cidade desfeita!

Contemplo aquele cenário de horror,
como se de um teatro se tratasse,
buscando a nitidez dos sentidos
esquecendo a Razão.

Sabor negro da contemplação
de um real que roça a utopia...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Pedra,
todo eu sou pedra,
branca, preta, ou que mais?!

Em mim conservo o tempo,
as pessoas, as pisadas...

Aqui presa neste chão
bloqueada por gémeas em igual condição!

Sou triste ou feliz?
Não o sei...

Afinal, guardo em mim o tempo,
o lugar, a vidas dos outros.
Choro quando alguém triste passa,
alegro-me de ver as crianças correrem!

Mas estou presa, com o tempo envelheço
e temo ainda a dor de ser suplantada,
de ser retirada, e ser posta em monte,
de virar lixo no vazio.

Que poderia ser eu, se pedra não fosse?
Sou pedra de calçada, sem me calçar.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Meu e Vosso Este Fado!!!

Bom-Bom do Meu Coração

A eminência da vida e da morte é algo absolutamente estranho, que me emociona e me faz pensar, na dor da perda, mas ao memso tempo de uma alegria, por não conseguir compreender o que é sentir a falta de alguém que nos é lindamente chegado e ir vivendo como se a pessoa continuasse a uns quilómetros d enós, competamente viva, com a postura de smepre, que sempre nos elevava o ego.
Há pessoas que ficam na história da nossa alma, que nunca poderemos esquecer, que são dignas de amor eterno, e que merecem nunca ser esquecidas, como verdadeiros exemplos de vida - Pessoas que partilham conosco segredos, que nos dão o puxão de orelhas na hora certa, ou até que andam uma grande quantidade de quilómetros para nos fazerem as vontades apesar das dificuldades fisicas, mas sentindo uma alegria em puderem sentir-se jovens e uteis, e também amadas.
As palavras são lindas e ao longo da vida tenho vindo a dizer as palavras certas a quem amo, e outras vezes nem por isso, infringindo em trsiteza o espirito dos alheios. Mas no fim, as palavras dão-nos as conclusões: "Amo-te tanto"; "Fica comigo"; "Anda comigo até ali acima, é so até Santa Cruz"... E também o reverso, aquelas palavras que sempre nos irritavam, mas que são belas: "Porta-te bem!"; "Não te esqueças do bilhete de autocarro e de levar dinheiro!"...
Ó palavras... As relações são no fundo palavras, gestos, abraços... Simples gestos, simples movimentos, mas que nos levam ao ascendente, à contemplação da beleza do amor, mas ainda, ao sentimento de trsiteza pela perda, a impotência por ver o outro partir!
Será que há mesmo um lugar para as ditas :"pessoas boas"? Se esse existe, TU, Minha Querida Helena, lá terás um lugar...

Gosto tanto de ti.
Tia do Meu Coração!
Minha anorética do coração!
Minha altelta da 3ª idade (como quero que saias pelo teu pé para esse passeio!)

Minha Cara Linda!
Meus Olhos Azuis Lindos!

Um beijinho do teu João!! :D

domingo, 7 de dezembro de 2008

Época de Prendas...

Pesquisando e pesquisando, e sentindo um profundo desagrado por estar numa falta de inspiração tremenda, fui-me conformando com a triste falta de imaginação deste dia, dia que foi de emoções fortes, mas que não me tinha desperto, realmente, aquela chama para a escrita, para esta capacidade extraordinária do homem se puder expressar por palavras.
Então, revendo a minha mente e o que nela vai passando, decidi focar-me sobre a época que se aproxima – a época das prendas, das crianças, das árvores decoradas – que sempre me emocionou e que vem sendo apelidada de Natal. Ó, o Natal!
Sem dúvida, aquela época que eu ansiava todo o ano, pensando na alegria das prendas, na alegria da família, na alegria das músicas. Sem dúvida – que chata repetição – uma ingenuidade interessante, tão interessante quanto a de Deus, que decide enviar o seu filho, e apelida esta data de Natal, não sabendo ele, que enviava sim, uma boa estratégia para a criação da época do ano mais capitalista que existe.
Que prazer: sacos e sacos, prendas e mais prendas. “O que falta ainda? Só falta para o António, para a Joana…” – e uma série de nomes se desenrola, para no fim de tudo, naquela noite de 24 para 25, termos, uma árvore de Natal cheia de presentes que tão cheiamente bela fica, apesar de os nossos sorrisos serem frequentemente uma falsa ilusão, ou melhor, uma pura sensação de adrenalina: “Que farei eu agora para no dia 31 de Janeiro ter os 3000 euros para dar à entidade credora?”. Sim, aquela entidade que se vende, sem sensualidade alguma, numa tentativa furtiva de convencer os mais ingénuos a empenharem a sua vida, para agradarem aos outros, naquela importante – “que deve ser bem celebrada” – consoada de Natal.
Ó que adrenalina! Que prazer, ver todos os embrulhos e sentir que nada está pago: que aquele relógio que ofereço ao António é propriedade da entidade credora.
Mas, que Natal é este? Um Natal – eis o nascer! Mas vejamos bem o que pretendemos, se é uma série de dividas e uma série de prendas hipotecáveis, ou talvez um Natal à nossa medida, com algum espírito de renovação, não do guarda-roupa, mas antes da alma – uma predisposição para a criação de uma vida melhor, que seja aquela gota oceânica que tende para a melhoria do mundo. Não querendo ser de forma alguma, uma corneta cristã, não consigo ver o mundo natalício – pelo menos na sua origem – numa visão cristã. O nascimento de Jesus Cristo como nascimento físico há dois mil anos, mas hoje, em cada Natal, como um nascimento espiritual, um tempo de reflexão que jubila, no nascimento a 25 de Dezembro, e mais um bendito dia das famílias.
Não querendo ser uma agoirante, refiro agora esse interessante lado do Natal: a Festa das Famílias. Aquele dia em que os familiares que já não se viam desde o Natal anterior, se reencontram e partilham o ano de experiências e reconstroem essa chama, inicialmente criada há dois mil anos pela mão de Jesus Cristo, cuja Estrela Cadente, corresponde a uma forma de ligação entre povos em torno daquele que nos criou, aquele que nos quer unidos, como fraternos irmãos, tendo essa predisposição para a liberdade, fazendo-o ou não.
O Natal pode ser assim, por um lado, essa altura fantástica do ano para a criação de um guarda roupa novo, de uma divida ao banco tremenda, mas pode ser, uma predisposição para a criação de um mundo melhor, para a confraternização familiar, havendo realemnte a liberdade para o fazer ou não. O Natal é sem duvida um nascimento, ironicamente me expressando, uma boa fonte de problemas. Mas pode ser esse tempo de reconciliação em busca da estrela cadente e da prenda de Natal que Deus nos quer dar todos os anos, a consciência, o discernimento, a família, o pensamento, a possibilidade de agirmos para um mundo melhor, em tantos sentidos, começando pelo contacto com a família, esquecendo, o lado mais capitalista do Natal, e aprofundando aquilo que é invisível aos olhos, mas extraordinariamente, importante, o alimento do coração, o Espírito de Deus, o Amor – essa gota oceânica que pode provocar uma reacção global!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Tanta teoria e tão pouca atitude!!!

Tanta teoria e tão pouca atitude!!! Que revolta interior por ser tão inutil nesta sociedade que verdadeiramente precisa de pessoas como eu! Eu sei que consigo detectar os problemas! Mas porquê que não os consigo resolver! Tenh consciência absoluta de que consigo criticar duramente, mas infelizemnte, não consigo emendar aquilo que consigo criticar! Fico com a ideia de que sei falar muito e actuar pouco! Porquê?!?!?!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Profunda/Leve Indignação

Fico perdidamente desagradado quando me sinto ultrajado, apesar do meu ultraje não ser um ultraje de morte. Mas fiquei muito triste, hoje, quando soube que uma pessoa que eu admirava imenso me apunhalou. Pode não ter sido uma grande facada, mas foi o suficiente para me colocar a pensar sobre a amizade dessa pessoa, que eu considerava na minha modesta opinião: uma "boa pessoa". Mas, quando soube que me tinham enganado e particularmente esta - já que outra pouco me interessa - pessoa, fiquei abalado e fiz questão de lhe comunicar que tinha achado uma reles atitude e que além disso tinha andado preocupado e com o peso na consciência e afinal venho a saber que não havia necessidade. Quando lhe contei, ainda me disse que tinham gozado com a minha preocupação. Realmente, que bom-senso tem esta gente, que comunica as coisas aos de fora e a mim não, e ainda por cima gozam com a minha preocupada atitude. Realmente!!! Por favor, fiquei mesmo desiludido. Com a pessoa de quem menos esperava esta atitude!

A Narração sobre Giovanni - pt.1

Era uma vez - um clássico começar de uma bela e secante história - um belo rapaz que contava histórias acerca de um menino muito bonito, estando inconscisentemente revelando-se a ele próprio e ao mundo que o rodeava. Esse rapaz era extraordiénrio: ele revelava os mais pequenos pormenores acerca do menino, conseguindo descrever os mais belos e perturbantes pormenores.
-Uma vez, o menino Giovani, ia a passear por entre montes e vales e começou através do auxilio de um conselhiro, a descobrir a sua verdadeira vocação. Ele sabia que era duro o caminho que teria de percorrer, mas seria bom ele estar preparado, pois o caminho que ele suponha ser o melhor poderia levá-lo à perdição.
Era lindo ouvir o belo rapaz a falar sobre o percurso que o menino ia tomando com o seu conselheiro. Eu que até então achava tudo aquilo uma farça, com tão belas descrições, ficava também entusiasmado e perguntava-me que final ia dar o rapaz à história do menino.
Não sei bem como conseguia ter acesso às histórias daquele menino, que me eram narradas por aquele belo rapaz. Ele, que com o seu cativante modo de falar prendia a atenção. Não só as descrições do menino eram lindas. Eram também extraordinárias as descrições feitas do conselheiro - um homem muito sábio, que no seu intimo tinha um profundo amor pelo mundo e pela alegria dos homens. Acreditava piamente na existência de Deus, que nos tinha oferecido a Terra como prenda por sermos uns tão belos seres racionais e que obviamnte, tinhamos de fazer algo para que esse mundo, fosse de algum modo melhorado, ou pelo menos que ficasse como essa criatura divina no-lo tinha oferecido.
Realmente, este mundo de tão belos montes, vales, mares, pessoas tinha de ser obra e "oferta", mas não gratuita, de uma entidade maravilhosamente inexplicável! Era tão belo constatar como o conselhiro falava de tudo isto com os seus belos olhos, dilatando o seu olhar com as descrições e pedidos que fazia ao Giovanni. Era uma pessoa realemnte consciente do seu papel no mundo e considerava que o seu Deus, merecia tudo e mais, de bom, que ele ia fazendo pelo mundo.